O que é a Nova Economia? Entenda principais características e influência no mercado

Nova economia é o termo usado para definir modelos de negócio impactados por uma série de tecnologias e baseados mais em serviços do que em produtos. Indústrias de alto crescimento que estão na vanguarda da inovação tecnológica são exemplo de negócios da Nova Economia. A união de serviços e tecnologias também tem possibilitado o desenvolvimento de empresas que utilizam a tecnologia para solucionar problemas da sociedade. Como uma empresa nascida na Nova Economia, o iFood tem muito a compartilhar sobre este conceito.

O que é Nova Economia?

A Nova Economia refere-se a um novo modelo de negócio das empresas, com base no  investimento em tecnologia, inovação – tudo isso apoiado em uma gestão ágil, com hierarquias mais flexíveis, diversidade de pessoas e foco em ESG

Assim, esse impacto gera uma mudança radical na forma como as empresas são gerenciadas, posicionam-se e entregam seu produto ou serviço, como afirma o VP de Finanças e Estratégia do iFood, Diego Barreto.

A mudança é, portanto, um componente importante da Nova Economia. 

Num mundo em constante evolução, as empresas precisam acompanhar essas rápidas mudanças cuja principal aliada é a tecnologia.

Sabe-se, no entanto, que o desenvolvimento da indústria com a integração de novas tecnologias vem acontecendo há algumas décadas. Exemplos disso são: 

  • Os produtores agrícolas que introduziram novas tecnologias e mudaram drasticamente a forma como os alimentos são produzidos;
  • A manufatura tradicional que deu lugar à manufatura avançada, integrando a melhoria contínua da qualidade com uma força de trabalho qualificada;
  • As tecnologias de produção mais recentes para produzir maior qualidade e menores custos marginais. 

Portanto, a diferença é que na Nova Economia todos os tipos de negócios são direcionados pela tecnologia. 

Nova economia, economia digital e indústria 4.0: entenda relação

A Nova Economia engloba termos como Economia Digital, Indústria 4.0 e Transformação Digital, uma vez que as empresas fazem uso de tecnologias e dados nas suas atividades.

O termo Nova Economia foi mencionado pela primeira vez em 1990 para fazer referência às novas empresas que estavam se sobressaindo às tradicionais por meio de novos modelos de negócios. 

No Ocidente, o termo ganhou destaque por Don Tapscott no livro, The Digital Economy: Promise and Peril in the Age of Networked Intelligence (1995), um dos primeiros a mostrar como a Internet mudaria a maneira de fazermos negócios.

Enquanto isso, em 2021, Diego Barreto, VP de Finanças e Estratégia do iFood, lançou o primeiro livro sobre os impactos da Nova economia no Brasil: “Nova Economia – Entenda por que o perfil empreendedor está engolindo o empresário tradicional brasileiro”. 

A obra que se tornou best-seller, é uma das referências no assunto no país, assim como Diego, uma das lideranças brasileiras da nova economia.

Nova economia e velha economia: entenda diferenças

A velha economia é descrita como um modelo tradicional de fazer negócios. Ou seja, o funcionamento depende do acesso político, consolidação da empresa em um setor específico e demanda de capital, como explica Diego Barreto.

Enquanto isso, a Nova Economia, baseada na tecnologia, explora frequentemente a simplicidade e possibilidade de testar. Com isso é possível direcionar e escalar investimentos de forma assertiva, dado que os resultados são aparentes. 

A pandemia da Covid-19 acelerou o processo de digitalização em curso. 

Mesmo algumas empresas e executivos permanecendo na mentalidade analógica, – ou seja, usam tecnologia e a integram em seus negócios sem produzi-la – o momento pede um perfil tecnológico.

Ser tecnológico é produzir com equipes multidisciplinares que entendem de dados, técnica e não têm  medo da tentativa e erro para alcançar resultados exponenciais. 

Além disso, a lógica da Nova Economia é incentivar pequenas e médias empresas a construírem um caminho fora do tradicional, utilizando a tecnologia como um acelerador de resultados. 

Por fim, isso se aplica à valorização de novas ideias e à capacidade de escalar produtos e serviços. 

A Nova Economia pode matar a velha economia?

A Nova Economia acontece toda vez que a tecnologia altera de forma ampla as cadeias de valor de um negócio. Exemplos disso são fatos históricos como a Revolução Industrial, dominação do petróleo e a era da comunicação. 

O que diferencia as empresas não é apenas a inclusão de tecnologia, mas ter tecnologia própria, com uma equipe multidisciplinar que produz suas próprias ferramentas, modelos, testes e posicionamentos

Enquanto a velha economia entrega um produto ou serviço seguindo atuação linear, a nova economia reúne ambos na mesma cadeia produtiva. 

Assim a lógica de atuação é feita num ecossistema que inclui o uso de API (integração de plataformas). Portanto, a capacidade de integrar sistemas e soluções alimenta essa lógica. É possível que empresas tradicionais passem por essa transição. 

O ponto em comum entre empresas tradicionais que passam por essa transição são os acionistas que entendem do negócio como um todo. O acionista é o responsável por fazer essa mudança pois entendeu a mentalidade digital e tem poder de decisão.

A Nova Economia pode ser considerada um estado de espírito, aponta Diego Barreto, VP de Finanças e Estratégia do iFood. Não precisamos ir longe para encontrar exemplos de grandes empresas como Blackberry e Yahoo, que nasceram na Nova Economia, mas não acompanharam o desenvolvimento acelerado de novas tecnologias.

Nova economia: um conceito que surge em 1950

Quando o atleta norte-americano Phil Knight decidiu abrir um negócio de venda de tênis de corrida de alta qualidade no final dos anos 1950, ele teve uma ideia brilhante: a empresa seria mais competitiva se os sapatos fossem feitos no Japão.

Foi um conceito que ele explorou em um artigo escrito enquanto estudava para seu MBA na Universidade Stanford. No entanto, as cartas de Knight aos fabricantes japoneses ficaram sem resposta. Ele e seu treinador de corrida Bill Bowerman, que se tornou seu parceiro de negócios, tiveram que começar a vender sapatos de uma marca japonesa existente antes de poderem providenciar a fabricação de seus próprios designs.

Knight e Bowerman estavam à frente de seu tempo. A fabricação no Japão ajudou sua empresa, a Nike, a se tornar uma das maiores fornecedoras mundiais de calçados esportivos. Demorou 30 anos até que a terceirização se tornasse uma prática comercial comum.

Impactos hoje em dia

Dessa forma, as empresas de hoje podem terceirizar quase todos os aspectos de suas operações – da fabricação e atendimento ao cliente até as funções de gerenciamento. Estima-se que as receitas globais de terceirização ultrapassaram US $510 bilhões em 2010.

De acordo com o professor Peter Liesch, especialista em negócios internacionais da Escola de Negócios da Universidade de Queensland, as mudanças nos padrões de produção estão transformando a natureza dos negócios. 

“As empresas podem entrar no mercado para adquirir capacidades produtivas de qualquer lugar do mundo, o que tem consequências para a forma como as empresas estão estruturadas. Você pode ter uma marca mundialmente famosa sem fabricar o produto ”, diz ele.A globalização traduz a nova economia?

Embora a terceirização e o offshoring sejam uma característica da nova economia mundial, e agora haja o inshoring, o professor Liesch acredita que o conceito de ‘globalização’ não conta toda a história sobre o que está acontecendo. Outros fatores entram em jogo. Economias com planejamento central, como a ex-União Soviética, transformaram-se em economias baseadas no mercado, enquanto as barreiras ao comércio e ao investimento estavam sendo derrubadas.

Existem mais mercados agora do que nunca: mais estão sendo criados, com ainda mais por vir e um mercado mundial para transações de mercado está em vigor, como mostra a tendência de terceirização e offshoring. Os mercados que temos também são mais eficientes.

O professor Liesch diz: “Novos mercados estão sendo criados o tempo todo – na verdade, muitas atividades empresariais envolvem a criação de mercados que não existiam anteriormente. Por exemplo, a Amazon criou um mercado global para entrega de livros, enquanto o Facebook e outros sites criaram um mercado de mídia social que não existia antes. Ao mesmo tempo, os obstáculos aos negócios estão sendo removidos.”

Quais são as principais características da Nova Economia?

O professor Peter Liesch, especialista em negócios internacionais da Escola de Negócios da Universidade de Queensland, diz que as empresas precisam entender as implicações da Nova Economia para suas próprias operações. 

Neste sentido, ele destaca as sete principais características da Nova Economia. 

      1. Mais opções de produção

Não importa quais sejam os processos de produção, as chances são de que as mesmas capacidades existam em outros lugares. 

Por isso, informe-se onde tais serviços estão localizados. Quão acessíveis são eles? Você poderia terceirizar a produção e remodelar seu negócio? 

Lembre-se de que muitas vezes existe uma compensação entre o desejo de controlar a produção e os interesses da eficiência. 

No entanto, a terceirização não é a única opção – existem formas alternativas de envolvimento econômico internacional e mais outras ainda serão criadas.

      2. A chance de criar novos mercados

A nova economia mundial oferece muitas oportunidades para mentes inteligentes. Nem sempre é a falta de capital que impede as pessoas de concretizar as ideias. Os empreendedores têm o poder de criar novos mercados e, muitas vezes, isso requer pouco investimento.

      3. As pequenas empresas podem pensar grande

O sucesso internacional não se limita mais aos grandes negócios. “As pequenas empresas podem ser tão internacionais quanto as grandes”, diz o professor Liesch. “Embora ainda tenhamos empresas multinacionais, haverá cada vez mais oportunidades para pequenas e médias empresas – o que é uma boa notícia para as economias locais, pois elas empregam mais pessoas”.

      4. Um campo de jogo mais equitativo

A qualidade democrática da nova economia mundial assegura que as oportunidades não se limitem às áreas da ciência e tecnologia. 

“Embora haja potencial para desenvolver coisas, também significa fazer melhor uso das coisas, fazer as coisas de uma maneira diferente que pode dar às empresas uma vantagem competitiva”, explica o professor Liesch.

“Da mesma forma, as economias desenvolvidas não são mais o bastião de todas as coisas inovadoras – ideias brilhantes podem vir de qualquer lugar do mundo.”

      5. Networking é importante

As redes de contato ajudam as empresas a conhecer o mercado e a ser conhecidas. Elas devem ter um bom entendimento de suas próprias redes e de redes periféricas, por causa das interconexões além de suas redes imediatas.

      6. A cultura não é uma restrição

“As empresas não precisam falar a mesma língua e fazer negócios da mesma maneira”, diz o professor Liesch. “Embora as diferenças culturais sejam mais uma barreira para as empresas de consumo do que para os setores de negócios para empresas, qualquer empresa pode superá-las. Os gerentes não devem ser culturalmente cegos – mas, da mesma forma, eles não devem ser culturalmente limitados”.

      7. Regionalização, não globalização

Falar de globalização pode ser enganoso, já que as conexões entre empresas geralmente ocorrem em nível regional, e não global. Por exemplo, empresas da União Europeia (UE) que fazem negócios na UE ou empresas norte-americanas que fazem negócios no Acordo de livre-comércio da América do Norte (NAFTA). 

A pesquisa sobre o comportamento e os padrões de comércio das empresas Fortune 500 revela a regionalização na maioria dos setores da indústria. 

Essas conexões surgem por razões comerciais – acordos de livre comércio podem ser implementados posteriormente, mas somente depois que as conexões iniciais tiverem sido feitas pelas empresas.

O professor Liesch acrescenta: “a internacionalização da produção está redefinindo a economia mundial e apresentando novas possibilidades às empresas. Neste novo mundo, as empresas competirão em condições de igualdade. As empresas inteligentes usarão suas ideias para obter vantagem competitiva e as limitações tradicionais, como tamanho ou setor, não as impedirão. O mercado mundial para transações de mercado é uma característica definidora de nossa economia mundial moderna. ”

O que é a Nova Economia no Brasil?

A Nova Economia no Brasil é uma revolução silenciosa. O uso massivo da tecnologia, acelerado pela pandemia de Covid-19 e a globalização, abre oportunidades para novos negócios e para a transformação massiva de negócios da velha economia. Porém, apenas algumas empresas estão percebendo este movimento e olhando para o futuro.

Excelência na prestação de serviços é um dos pilares da nova economia. Se no passado ter um serviço ruim era aceitável, na nova economia não é. 

Embora pareça óbvio dizer que o mundo mudou, algumas empresas e pessoas ainda não compreenderam plenamente estas mudanças. “É um cenário turbulento e dinâmico, e manter-se preso a antigos paradigmas e práticas pode significar ser engolido por negócios alinhados com princípios da inovação constante. Dominar as novas regras são atitudes que definem quem permanece no mercado”, explica Diego Barreto, VP de Finanças e Estratégia do iFood.

É fundamental entender quais as práticas da Velha Economia que estão impactando negócios e empresas. Além disso, incorporar conceitos como diversidade, inclusão, sustentabilidade e transparência radical são fatores determinantes do sucesso das empresas brasileiras na nova economia.

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