Arábia aproveita desertos para neutralizar emissão de CO2

Na Arábia Saudita, desertos serão aproveitados para compensar as emissões da indústria de alumínio; saiba como operam essas novas estufas de energia solar.

Nova tecnologia transforma luz solar em calor para eliminar o uso de carvão na indústria de alumínio

Quem disse que é só nas florestas que existem projetos para neutralizar emissões de gases poluentes (como o apoiado pelo iFood na Amazônia)? Na Arábia Saudita, os desertos também vão fazer parte dos esforços para retirar gás carbônico da atmosfera e descarbonizar o processo de fabricação de alumínio, que usa carvão como fonte de energia.

Os árabes estão construindo estufas às margens da cidade industrial de Ras Al-Khair, em uma área de sete quilômetros quadrados, informa a Fast Company. É uma área equivalente à de mil campos de futebol oficiais de tamanho médio, e as obras devem começar em 2024.

O alumínio produzido na região é utilizado na fabricação de celulares, computadores e carros. “Muitas vezes, esses produtos têm emissões incorporadas ocultas das quais não temos conhecimento. É uma enorme quantidade de CO2 que estamos colocando na atmosfera”, afirma à publicação Rod MacGregor, CEO e fundador da GlassPoint, empresa que planeja construir o novo sistema, baseado em energia solar. 

A paisagem que se verá na região, entretanto, em nada lembra a das fazendas solares que conhecemos. A tecnologia que será utilizada para produzir energia solar consiste em grandes espelhos curvos que ficam pendurados dentro das estufas e concentram a luz do sol em canos, aquecendo a água no interior para que ferva e produza vapor.

“Neste caso em particular, quando os usuários finais precisam de calor, é muito mais eficiente ir diretamente da luz solar para o calor”, explica Rod. A maioria das usinas usa carvão para ferver água e gerar vapor para refinar a bauxita, o mineral usado na primeira etapa da fabricação do alumínio. 

Redução da pegada de carbono

Em parceria com a Saudi Arabian Mining Company, a GlassPoint está planejando uma nova instalação térmica solar de 1.500 megawatts na refinaria da empresa, que atualmente utiliza gás para produzir vapor. Dessa forma, a companhia poderá reduzir sua pegada de carbono pela metade ao mudar para a energia solar e deixará de emitir 600.000 toneladas de CO2 por ano.

Essa nova tecnologia pode ser utilizada também em outras fábricas que usam o vapor em suas operações, como a indústria alimentícia, os produtores de lítio e as fábricas de papel.

“Como categoria, a indústria é a maior consumidora de energia do mundo. E 75% de toda a energia que ela usa está na forma de calor”, diz Rod. 

Ele explica que a tecnologia da geração de energia solar térmica é mais simples e torna essa opção menos cara do que alternativas como o hidrogênio verde. Esse tipo de geração de energia, porém, ainda custa mais do que utilizar combustíveis fósseis.

No entanto, Rod acredita que, à medida que as refinarias enfrentam novas pressões – de marcas, investidores e novas regulamentações, como um imposto de carbono sobre o alumínio na União Europeia – elas planejam mudar. “No começo, íamos a um complexo industrial e dizíamos: ‘Podemos ajudá-los a descarbonizar’, e eles perguntavam: ‘Por que queremos fazer isso?’”, conta Rod. “Ninguém mais diz isso.”

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